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MEMóRIA DO LUGAR 
Escola Magistério do Porto / Escola Normal do Porto

Nota histórica

A Escola Normal do Porto (ex-Escola do Magistério Primário) foi integrada no Instituto Politécnico do Porto em 1986.
Instalada, em finais do século XIX (1883) em edifício próprio, para esse efeito mandado construir pela Monarquia, entre a Rua da Alegria e a Rampa da Escola Normal - edifício classificado como património arquitectónico do Porto - foi constituindo, desde o seu início, uma considerável biblioteca que, felizmente, chegou até nós num razoável estado de conservação.


A ESMAE hoje
O Edifício Normal (antigo Magistério Primário) construído em 1883, foi o primeiro edifício ibérico destinado à formação de docentes do ensino primário. A reabilitação global deste edifício foi realizada pelo arquitecto português Filipe Oliveira Dias no ano de 1996, sendo esta concluída em 1999 e é nele que funciona a Escola Superior de Música, Artes e Espectáculo do Porto. É um espaço vocacionado ao ensino do teatro e da música. O edifício alberga um teatro construído de raiz. O teatro tomou o nome da notável pianista portuense Helena Sá e Costa, a quem se deve um contributo cultural notável e que ainda hoje é um alto expoente na formação de sucessivas gerações de artistas. O teatro foi construído num pátio central de um edifício já existente O teatro possui características a salientar, tais como:
  1. Tipologia laboratorial. A inserção do auditório no antigo pátio rectangular do edifício, com janelas envolventes em toda a sua periferia, permite a realização de aulas em tipologia laboratorial, ou seja, uma aula é dada sob observação externa, constituindo essa uma outra aula. O auditório tem capacidade para trezentos lugares e está preparado para teatro, ballet e orquestra (tem um fosso para 70 figuras).

  2. Cobertura transparente. O teatro tem cobertura transparente, em vidro especial, mas que permite o ensino com luz do dia e mantendo a característica do antigo pátio “aberto”. Possui um sistema motorizado de obscurecimento da cobertura até atingir o blackout. Os vidros da cobertura, de características muito exigentes, com caixa-de-ar interna, isolando térmica e acusticamente, e elevada resistência mecânica, foram produzidos propositadamente em Saint Gobain. Fechando as cortinas, numa área de 14 x 17 metros, consegue-se em três minutos um blackout total.

  3. Identidade. A identidade e autenticidade do edifício de 1883 foram mantidas pela singular forma de intervenção que, sendo de uma enorme complexidade, resultou numa reabilitação aparentemente simples, onde quem conhecia o edifício considerar “terem sido apenas pintadas as paredes”.

  4. Investigação. A investigação e o estudo que precederam o projecto demoraram um ano e meio. Foram feitas visitas a teatros profissionais e teatros de escolas congéneres, na Alemanha, em França, em Inglaterra e em Portugal. Foi realizada uma maqueta funcional de todo o edifício incluindo o teatro.

  5. Acústica. A optimização das condições acústicas, nomeadamente o controlo da reverberação e da inteligibilidade, é conseguida através da geometria e volume variável da sala, por rotação assistida por computador dos paineis reflectores que integram o tecto.

  6. Design. As cadeiras que equipam a sala têm um design contemporâneo, inspiram-se numa harpa e foram desenhadas pelo autor do projecto.